segunda-feira, 12 de abril de 2010

Para saber mais

Outro dia, o Brasil recebeu o presidente Shimon Peres, presidente de Israel. Um país que a cada dia acumula mais violações de resoluções da ONU. Que a cada dia usa de desproporcional força de agressão para evitar que o povo palestino tenha sua própria terra. Que usa muros para separar palestinos de palestinos. Que usa mísseis para manter um gueto em Gaza, com a população civil comendo o pão que o diabo amassou. Dias depois, o Brasil recebeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad, acusado pelos Estados Unidos de querer fabricar armas atômicas, armas de destruição em massa. Armas inexistentes no Iraque, mas que justificaram a invasão/ocupação do país de Saddam Hussein.


Na oportunidade das visitas, a imprensa brasileira e a oposição, que cada vez mais se confundem, preferiram homenagear o presidente fascista/sionista e desqualificar o iraniano. O Irã é acusado de manter um regime autoritário, que persegue opositores. Mas, qual país do oriente médio é menos autocrático que o Irã? A diferença é que os outros são aliados ao ocidente. E o Ocidente não é autocrático? Que país mais usa a tortura contra seus opositores senão os Estados Unidos da América. Basta conferir Guantánamo e os centros de tortura fincados em países aliados, mundo afora.


Na última semana, a Shell, britânica, e a Total, francesa, fecharam acordo de exploração de petróleo no Iraque. Antes, a estadunidense Exxon Móbil e a britânica BP. O FinancialTimes¹ comemorou: “Iraque está prestes a se tornar o segundo na liga do petróleo". Já a revista Time da última semana alfineta, sutilmente: em reportagem sobre os novos contratos, relembrou que nas manifestações contra a invasão, em 2003, na Europa e nos EUA, a acusação era de que "a guerra servirá meramente à apropriação das vastas reservas de petróleo do país pelas companhias ocidentais". Os aliados garantiam que era para procurar as armas de Saddam.


Mais revelador e menos sutil foi a declaração de Tony Blair à BBC² de que sem as "armas de destruição em massa", buscaria outro motivo para derrubar Saddam Hussein. Parece que estamos diante de uma questão de credibilidade a envolver os principais atores globais. Aqueles que não comprariam um carro usado por ter pertencido a Ahmadinejad é bom terem cuidado nos carros que foram de Bush, Obama, Tony Blair, Netanyahu, Sarkozy. É bom lembrar que o Irã tem bastante petróleo e que vem sendo acusado pelos senhores do ocidente de estar preparando suas “armas de destruição em massa”. O mesmo script do Iraque.


A propósito. Para saber mais sobre o Brasil e o mundo é melhor ler os jornais do exterior. Eles informam, nesta segunda-feira (12/04), (veja nos links abaixo), que: Em véspera da chegada ao Brasil do presidente chinês, Hu Jintao, a Academia de Ciências Sociais da China quer mais representação para os emergentes, como o Brasil, “por serem indispensáveis”. A tese apóia a “governança global equilibrada”, proposta pelo presidente Lula. (China Daily). É a mesma posição da Rússia, de Dmitri Medvedev, que também chega aqui. Como Lula, ele quer "uma nova ordem policêntrica" no mundo. (PTI). Na chegada do primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, mais apelos às questões globais. (Times of Índia).


No mais, o Times of India trata o presidente brasileiro de "herói em casa e estadista no palco global", "o homem do momento". El País destaca a crítica brasileira ao mundo dividido entre os armados "até os dentes" e os sem armas nucleares. A longa análise do Yale Global sobre o Brasil: "garoto propaganda da globalização, que mapeia seu próprio caminho", que rompeu a aliança automática e submissa com os EUA. E que “surfou a onda da globalização para se tornar uma potência econômica e diplomática". O Yale Global destaca a recusa crítica brasileira de apoio às sanções ao Irã. Nos jornais brasileiros, em editoriais e colunas, cada vez mais ativos comitês da candidatura tucana.


(1) http://br.noticias.yahoo.com/s/09042010/40/politica-bush-sabia-havia-presos-inocentes.html

(2) http://www.ft.com/cms/s/0/0352857e-e644-11de-bcbe-00144feab49a.html?nclick_check=1

(3) http://www.chinadaily.com.cn/china/2010bfa/2010-04/09/content_9707421.htm

(4) http://www.zeenews.com/news617488.html

(5) http://toi.timesofindia.indiatimes.com/india/In-a-first-IBSA-BRIC-nations-to-dwell-on-world-affairs-/articleshow/5779582.cms

(6) http://timesofindia.indiatimes.com/home/opinion/edit-page/Why-Lula-Is-The-Man/articleshow/5775158.cms

(7) http://www.elpais.com/articulo/internacional/Lula/podemos/admitir/paises/armados/dientes/otros/desarmados/elpepuint/20100411elpepiint_10/Tes

(8) http://yaleglobal.yale.edu/content/brazil-charts-own-course

2 comentários:

Celso disse...

A imprensa brasileira não é tucana. Sempre esteve na mão da esquerda e continua, salvo algumas poucas exceções (Veja, Época, Estadão, etc)
O que a imprensa estrangeira não sabe ou não divulga porque não interessa, é que este governo petista, foi o mais corrupto da história brasileira. Tudo devidamente comprovado. Temos um presidente que não respeitra leis, achincalha com o Judiciário (TSE em particular), e nunca sabe de nada, mesmo quando a podridão mora ao lado (Zé Dirceu, etc).
Denunciar é papel da imprensa. Por isso é ela é "tucana" na visão da esquerda.
A má esquerda quer descontruir tudo que não é comunista....tentarei eu dentro de minhas poucas limitações, desconstruir a má esquerda. Dilma na mira. Quem foi padre nunca deixará de sê-lo. Portanto, quem foi terrorista, também nunca deixará de sê-lo.
Garto Liberal pela oportunidade de me expressar.
Abs
Celso Beraldi

Lobo disse...

Alo Liberal: cada vez mais me surpreendo com Lula como estadista. É talvez a grande força cobrando ação pró Irã e pró Palestina num mundo que se rende cada vez mais à raça superior de Israel.

Por outro lado, a Dilma é muito inteligente: na época em que estava na clandestinidade estava estudando a maneira de se opor à ditadura de mídia ( rede plim-plim) para que não houvesse tanta propaganda mentirosa da atual oposição.

Mas eu me apego ao dito de Mão Tse tung: povo que não conhece história está condenado a repeti-la. E digo isto por que cada vez mais israelenses mostram sua desavergonhada cara de racistas e de inspiradores do Hitler no trato com palestinos e Camitas de modo geral.

Portanto, resta saber quando eles vão se cansar e sair gritando Sig Heil, Israel, e mostrar de vez sua cara. Não me surpreenderão, basta ouvir as palavras de criminosos como Tzipi Livni, Avigdor Liebermann, e outros mais.

Lobo.

O Manifesto